terça-feira, 3 de fevereiro de 2015

Estrutura mutável: Emanuela Fiorelli e Paolo Radi na Galleria Spazia (Bologna)




No fim de semana da Feira de Arte de Bologna também aconteceu a Notte Bianca (uma espécie de virada cultural italiana), com isso algumas das galerias no centro da cidade abriram suas portas até tarde e tive a oportunidade de visitar a exposição Mutevole Struttura | Emanuela Fiorelli - Paolo Radi, na Galleria Spazia. Apesar de não ter sido a noite de abertura da exposição, havia bastante gente por lá e os artistas estavam presentes. 



O diálogo pareceu-me extremamente interessante pela maneira complementar como os artistas criam suas formas. Ambos trabalham a partir da sobreposição de superfícies em suas composições. Os planos de Fiorelli são transparentes e funcionam como elementos estruturantes de seus traços, que saltam de uma superfície à outra, em composições de uma frágil solidez. Já Paolo Radi parece "esconder algo" sob superfícies liminares entre opacidade e transparência, criando zonas cromáticas cujos contornos são nuançados por membranas que capturam e frustram o olhar (frustração de grande potência em uma época na qual o voyeurismo é o regime escópico hegemônico). 

Abaixo traduzo do italiano ao português o take one disponibilizado pela galeria

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Estrutura Mutável

Emanuela Fiorelli - Paolo Radi

P. Radi, Origini parallele
E. Fiorelli, Box

A Galleria Spazia inaugura o ano com a "dupla individual" ("doppia personale") dos artistas Emanuela Fiorelli - Paolo Radi, a apenas dois anos da última mostra conjunta deles no Centro Culturale Wasi, em Lima, Peru.
A mostra propõe uma importante série de obras do percurso artístico recente deles, que "se encontra e se confronta" na superfície.

Radi é aquele da aparição, da emergência; Fiorelli aquela da estrutura e da construção. Fiorelli é racional, Radi sensibilista.
Em Fiorelli e em Radi o mundo é subdividido na superfície, como se o âmbito do visível tivesse se dividido de modo a não se preocupar e a ser feliz: é claro, no entanto, que esta divisão do mundo não foi uma decisão, mas uma simples constatação, um resultado de fato; mas não é criticamente indiferente (por tudo o que se disse sobre a contextualização da obra) que um casal na vida se encontre a compartilhar um mesmo mundo linguístico, mas ao mesmo tempo se limite - por assim dizer - a um lugar que não será mais - ou que pelo menos nunca foi até agora - o lugar do outro, embora sendo o lugar fundamental para quem enfrenta o tipo de pesquisa estética deles.


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A exposição pode ser visitada até março na:
Galleria Spazia
Via dell'Inferno, 5
40126 Bologna

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